Todos procuramos ser felizes. A busca da felicidade é inerente a qualquer pessoa no planeta.

No dia-a-dia confrontamo-nos frequentemente com situações que podem gerar sentimento de infelicidade repentina ou que perdura. Podem ser preocupações excessivas com os próximos, os medos que paralisam e limitam a vida que gostaríamos de ter, desilusões e perdas emocionais, mal-estar e insatisfação, desânimo e desmotivação, as relações que não resultam, o emprego frustrante, filhos ou parceiros que não correspondem às expetativas, casamento infeliz, a solidão, questionamentos sobre o sentido da vida…

Cada história e desafios são diferentes, mas o que procuramos todos é sermos felizes, sozinhos ou acompanhados. E parece que muitas vezes essa busca de felicidade cai no vazio, andamos em círculos sem conseguirmos ser felizes. Porquê?

É um tema complexo que merece alguns pontos de reflexão.

Em primeiro lugar, e para ter uma vida equilibrada e bem-estar psicológico é importante percebermos e aceitarmos que a vida decorre num permanente fluxo de mudança, é feita de ameaças e oportunidades, de momentos tristes e alegres, felizes e infelizes – vivemos no meio de dualidade, que faz parte da existência humana e da natureza.

Em segundo lugar, aceitarmos que não é possível controlar a vida nem as pessoas. Aquilo que tem de acontecer, irá acontecer e sempre para o nosso bem e a nossa evolução (se soubermos aproveitar), apesar da dor e do sofrimento.

Em terceiro lugar, a resposta frente as adversidades e circunstâncias depende inteiramente de nós, logo, o que vai pensar diante uma dificuldade ou um desafio vai determinar a forma como se vai sentir. Se pensa que é uma tragédia, assim será e vai ficar triste e infeliz; ou pensa que é uma oportunidade de crescimento – logo, pode sentir-se melhor e ver para quê aconteceu? O que posso aprender? Claro que quando falamos da morte dos mais próximos ou amigos, poderá ser sem dúvida uma tragédia em que a vivência do luto se faz necessária para voltar a seguir em frente.

Em quarto lugar, a felicidade é um caminho, não é um destino, por isso será algo que iremos desejar e procurar enquanto formos vivos, até porque faz parte da natureza humana essa busca pela felicidade. É um processo que acompanha o nosso crescimento e evolução.

Em quinto lugar, raramente parámos para nos questionarmos se somos e nos sentimos felizes, e o que é importante para vivermos felizes. É frequente até ter-se um pensamento muito comum, “quando finalmente vou ser feliz? ou quando a felicidade vai bater à minha porta? ou quando alguém me fará feliz?”

Em sexto lugar, não existe um único caminho para a felicidade! Todos os caminhos são válidos, até porque o que é felicidade para uns não o é para os outros.

Em sétimo lugar, acredito que somos verdadeiramente felizes quando seguimos os nossos verdadeiros desejos e sonhos, trilhamos o nosso caminho.

Em oitavo lugar, mesmo que decida seguir o seu caminho – isso não lhe garante que será para sempre feliz! Será certamente mais feliz porque está a trilhar a sua jornada, não aquela que os outros podem querer para si. Mas vai continuar a ter “altos e baixos”, “fracassos e insucessos”, “conquistas e derrotas”, momentos de entusiasmo e desânimo. Tudo isso é normal e faz parte! São tudo aprendizagens necessárias para chegarmos a outros lados.

Em nono lugar, será mais difícil termos uma vida diferente, aquela que sonhamos e almejamos, se lhe resistirmos, se lhe fugirmos, se tivermos receio dela, se pensarmos que não a merecemos ou se nada fizermos hoje de diferente – teremos de correr riscos se queremos ser felizes à nossa maneira!

Em décimo lugar, a felicidade não é algo que vamos buscar fora através de bens materiais que satisfazem temporariamente ou relações onde muitas vezes projetamos as carências e a necessidade de nos sentirmos amados, a felicidade é um estado interno que se alcança através do caminho que faz até si, ao mesmo profundo de si mesmo. Ou seja através do autoconhecimento e desenvolvimento pessoal que permite o desabrochar dessa felicidade a partir da qual podemos construir o que desejamos e alcançar níveis ainda maiores de felicidade.

Querer ser feliz é sobretudo a nossa decisão, consciente de que merecemos ser felizes. É mais do que esperar e conformar-se, é decidir agir e construir utilizando como base os valores e as motivações próprias.

Por isso, se não somos felizes da forma que vivemos agora, muito provavelmente não o seremos no futuro, a menos que façamos alguma coisa diferente. Difícil será obter um resultado diferente continuando a fazer o mesmo, por isso a ação e vontade de mudança serão a salvação da passividade, sofrimento e mal-estar aos que podemos já estar habituados, como se fossem algo normal.

Para ser feliz, é importante que questione com seriedade o que é a felicidade para si? Pode ser diferente das pessoas com quem se relaciona, até das mais próximas como a família. Isto para saber a direção em que vai e que decisões poderá precisar de tomar para se sentir e ser feliz. Não basta saber e desejar essa felicidade, há que construí-la, agir, e isso só depende de si, do que pensa, sente e do que faz, e das suas decisões. É a vontade em movimento. Permanecer no mesmo “sítio” também é uma decisão – a de não fazer nada.

E não nos podemos esquecer de que para sermos felizes, teremos que enfrentar os nossos medos e sombras, livrarmo-nos de prognósticos negativos, reconhecer e utilizar as nossas potencialidades, responsabilizarmo-nos pelas nossas ações, pormo-nos em causa frequentemente, aprender a confiar em nós, nos outros e na vida, pois só assim a felicidade poderá acalentar o nosso coração.

Por fim, para sermos felizes, devemos fazer tudo o que depende de nós para que a nossa felicidade se torne possível, mas não esperar que ela bata à porta. Não exigir, não pensar que alguém lhe deve algo, que a vida lhe deve, desenvolva a paciência e vá construindo passo a passo. Temos que aceitar a vida e a nós próprios, o que oferece a harmonia e depois no horizonte pode-se avistar a esperada felicidade.

Parafraseando o Thoreau, a felicidade é como uma borboleta, quanto mais a persegue mais ela se esquiva, mas se confiar na vida e em si, fizer o que de si depende, ela acabará por pousar no seu ombro.

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