Talvez tenhamos aprendido muito sobre como adquirir coisas, e haja muito pouca informação e de valor sobre o que fazer quando as perdemos.

Na verdade, a perda ou separação é um aspeto inevitável e constante da vida humana.

Desde a primeira e mais dolorosa separação, que é o nascimento, e que segundo o Pangrazzi é o “protótipo de todas as outras separações” que se vão dando ao longo do ciclo vital. Uma experiência que nos recorda também de que “ninguém nos pertence só porque o amamos”, …nada é permanente nem a nós pertence…” (Luís Philippe Jorge), Até a morte, a perda final.

Caso aceitemos as perdas e as vivamos de forma construtiva, estas podem-se tornar em fonte de crescimento interior e evolução pessoal.

Ao longo da vida podemos sofrer vários tipos de perdas, como a morte de pessoas próximas, perda/mudança de emprego, divórcio/separação, mudanças de casa, doenças que nos fazem perder a saúde, abortos, traições amorosas…entre outras.

Costuma acontecer que depois de aceitar uma grande dor, devida a uma perda, se tem a sensação de que nada volta a ser como antes.

As perdas ensinam-nos o desapego, e do importante que é tudo isso para não sofrer quando se dão perdas na nossa vida.

“Também acontece, que quando passamos por um processo de luto, sentimo-nos mais perto da Humanidade e muitas vezes, abrimos o nosso coração à compaixão. Na realidade, as vivências de dor consciente convidam-nos a estabelecer uma ligação com esse plano profundo e essencial que potencialmente somos e a partir de onde brota a verdadeira sabedoria” EDT, “Lutos e Perdas”.

É importante perceber que uma perda não superada através da vivência do luto, consome grande quantidade de energia e separa-nos de nós mesmos. A pessoa pode cair em estado de passividade e ver a vida como algo que tem de ser suportado. Porventura, devido a uma série de perdas emocionais que não foram resolvidas adequadamente ao longo dos anos, um dia acorda perante a realidade de que a sua vida não é simplesmente o que se esperava. Por sua vez, o luto é reação à perda de alguém ou algo, que pode ser emocional, física, social, intelectual e até espiritual. A reação que se pode manifestar por insónias, fadiga, tristeza, ansiedade, e culpa entre outros sintomas.

Se se nega durante longo tempo, esse problema emocional não resolvido pode ser exteriorizado em forma de agressividade, depressão, doenças, etc.

Em certas ocasiões, socorremos a estratégias de fuga emocional, para passar o dia e ocultar a nossa dor emocional. As drogas, a comida, novos relacionamentos, o trabalho, etc., são elementos com os quais podemos obter benefícios a curto prazo mas que não resolvem a raíz do problema.

Por isso, a vivência do luto (ou condolência) é um processo natural, libertador e necessário para que possamos restabelecer o equilíbrio emocional, ao mesmo tempo que acrescentamos a abertura e maturidade que implicam tais experiências.

A terapia é um suporte, o espaço onde a pessoa pode expressar a sua dor, reconhecer e entender as suas reações e assim ir aliviando a angústia. O terapeuta irá ajudar a cada um a descobrir dentro de si a maneira particular de viver o luto, restabelecer o equilíbrio emocional e conseguir reconstruír a sua vida.

 

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