Perdermos uma relação significativa ou sofrermos a morte de um ente querido, são dois eventos que podem provocar muita dor emocional. A perda desencadeia o processo emocional chamado “luto” em que somos convidados pela vida a processar a perda, a aceitá-la, aceitar a ausência do outro e seguir em frente. 

Nos relacionamentos complicados o luto costuma ser ainda mais doloroso. Refiro-me a relacionamentos tóxicos, ou em que o vínculo com o familiar/amigo/a que morreu/perdemos era ambivalente, cheio de conflitos, tenso, com períodos de amor e ódio. 

No luto é possível passar por várias fases, desde, o choque à negação do que aconteceu, revolta e sentimento de vazio, até a uma gradual aceitação do sucedido. 

Aceitar a realidade da perda implica ganharmos consciência de que essa pessoa já não está na nossa vida, aceitá-lo não só mentalmente como emocionalmente, o que naturalmente leva o seu tempo. O luto pode prolongar-se até 2 anos. 

Não negar as emoções de tristeza e vazio, expressá-las a um amigo ou procurar ajuda do terapeuta, é outra etapa importante durante a vivência do luto. Reconhecer as emoções e expressá-las ajuda a aliviar a dor e a integrar a experiência interiormente. 

Entre as etapas da vivência do luto, a adaptação ao presente em que a pessoa que perdemos já não está, pode ser dos momentos mais difíceis. Confrontar-se com os lugares que outrora visitamos com outra pessoa, sentir a ausência do seu calor, presença e palavras no dia-a-dia, recordar as experiências vivenciadas juntos e todos os momentos em que porventura sentimos que poderíamos ter dito ou feito mais e melhor, são tudo episódios da história que é necessário processar e “chorar” internamente. Por isso, aprender a enfrentar o quotidiano, a redefinir quem somos na ausência do outro e encontrar um lugar de compaixão para connosco e o outro, é deverás importante para ir gradualmente superando a perda. Nesta fase, é também essencial não perdermos o contacto com os amigos, pois são a âncora que nos ajuda a não nos “afundarmos” no vazio da perda.

Integrar o que aconteceu na nossa história de vida, dando a essa pessoa um lugar no nosso coração e mundo psicológico, pode ajudar a seguirmos em frente. 

Ainda que atravessar o luto não seja fácil, quando a relação com outra pessoa era saudável, torna-se mais natural agradecer e continuar. No entanto, quando a relação era complicada, podem surgir desafios adicionais. É comum que surja a dor, tristeza, raiva, frustração e confusão. São sentimentos que podem persistir dentro de nós por muito tempo, se não lhes dermos o devido reconhecimento.

Perder a pessoa que sentimos que nos tenha magoado, pode tornar o luto mais devastador, difícil e confuso. Podemos sentir que ainda não é realmente o fim, e queremos tanto voltar apesar da dor. É natural também ter sentimentos contraditórios e ambivalentes quanto a essa perda/pessoa, por um lado vontade de voltar e amor, por outro ódio, raiva, frustração, culpa, ressentimento e nostalgia pela perda. Se o relacionamento era pautado por uma grande dependência emocional – o outro ocupava o centro do nosso mundo – isso pode complicar o processo de aprender a viver sem esse alguém especial. Há mais trabalho emocional a fazer e suster. 

Se estás a passar por uma situação de luto pelo fim de uma relação, não te julgues nem coloques toda a responsabilidade sobre ti. Dá um passo de cada vez, um dia de cada vez. Não hesites em pedir ajuda profissional se te sentires assoberbado/a pela perda e não estejas a conseguir lidar com o processo sozinho/a. 

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