A vida é feita de ciclos. Ciclos que representam etapas importantes e que criam o mapa da nossa caminhada existencial. A jornada que é marcada por mudanças e transformações que nos são pedidas pela vida em cada uma dessas etapas.

Existem ciclos individuais que marcam o nosso desenvolvimento físico e psicológico, desde que nascemos, passamos pela adolescência e chegamos a vida adulta, e mais tarde à velhice.

Ciclos familiares onde pode caber o matrimónio, o nascimento dos filhos, a saída destes de casa e a retirada da vida ativa com a chegada da velhice.

As separações, as mudanças de trabalho, casas novas…são também marcos de ciclos, de velhas etapas que encerramos para renovar formas de viver, atuar e relacionar-se.

São crises que representam momentos potenciais de mudança não só a nível da nossa personalidade mas também na forma de encararmos a vida e nos relacionarmos com o ambiente e com as pessoas. Por isso, as crises trazem em si a semente de oportunidades de crescimento e mudança.

E no aspeto da mudança, a transformação implica, de algum modo, a morte duma parte da nossa personalidade, embora preferimos muitas vezes continuar apegados ao velho e ao conhecido, por muito infelizes que saibamos que isso nos faz. Em consulta terapêutica, encontramo-nos com um paradoxo frequente. O paciente quer melhorar a sua vida sem realizar nenhuma mudança substancial na sua forma de atuar.

Mudar essas formas de atuar implica, nalguns casos que aprendamos a fechar os ciclos. Fechar um ciclo pode entender-se como deixar de repetir o mesmo padrão de conduta próprio dos ciclos anteriores. O passado torna-se um obstáculo quando evitamos tirar proveito dele: então afastamos, subestimamos, ignoramos e odiamos o passado.

É preciso aprender observar com amor e compaixão esses padrões. Convém recordar que não existe nada fora do lugar ou que não deve ser ou ter sido. Tudo é útil em termos de expansão de consciência.

Aceitar que fazemos sempre o melhor em cada ciclo vital da nossa vida, de acordo com o nosso estado de consciência significa apaziguarmo-nos com o passado e connosco mesmos.

Por isso, todas as situações que não se puderam resolver no ciclo anterior (separações, perdas de estilo de vida ou emprego, a retirada da vida ativa, mudanças de casa e cidade; isto é, todas as situações que suponham uma nova fase de vida) podem ser encaradas como metas, desafios, enigmas…o que leva com que direcionemos a nossa energia vital para lidar com essas situações não resolvidas, encontrando as soluções adequadas, em vez de as encarar como “problemas”. Ao vê-las como problemas, podemos ficar bloqueados no ciclo e ficamos em sofrimento. Se assim é, o importante é parar toda a ação e perguntar:

  • O que se passa comigo?
  • Como cheguei até aqui?
  • Qual é a conduta ou situação que se repete, apesar dos esforços para mudá-la?
  • Que faria se esta situação estivesse resolvida?
  • O que quero e como vou consegui-lo?

Estas questões são importantes para tomarmos consciência dos padrões de conduta dos ciclos anteriores,  o que permite que os mudemos.

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